Vitor Belfort: exemplo além do esporte

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Vitor Belfort: exemplo além do esporte

Vitor Belfort, considerado um dos maiores lutadores de MMA (Mixed Martial Arts) do mundo, mudou-se para Las Vegas em outubro de 2010, juntamente com sua esposa e os três filhos.

“The Phenom”, como é conhecido, se interessou por artes marciais ainda na infância e após muitos anos de treino e dedicação, ocupa uma posição de destaque nesta modalidade esportiva.

Mas a imagem do atleta vai muito além da área esportiva. Envolve saúde, vitória, superação, disciplina, fé, honestidade, simpatia, carisma e humildade.

Veja o histórico do atleta Vitor Belfort…

Quem é o atleta Vitor Belfort todos já sabem, mas quando questionado sobre quem é a pessoa, descobrimos a razão dele merecer destaque também na vida pessoal. Segundo se auto define, “o Vitor é uma pessoa normal, que possui sonhos e vive uma vida de princípios. É um homem que batalha para se aprimorar ao longo dos dias, tanto como profissional quanto como ser humano.”

Mesmo com um histórico brilhante e o reconhecimento mundial de seu trabalho, Vitor Belfort não perdeu a essência que todo ser humano devia cultivar: a humildade. Apesar de possuir uma bela trajetória, que transformaria a maioria das pessoas em um ser cheio de vontades e orgulhos, a fama não o distanciou das pessoas e ele, tampouco, perde a oportunidade de demonstrar isso através sua imensa fé. Seu testemunho é constante, tornando-se perceptível que seu amor à Deus não ocorre apenas diante das câmeras ou gravadores. Vitor transmite verdade ao falar de Deus, colocando-o como prioridade em sua vida todos os dias, independente do local ou situação.

“Se eu conseguir ser fiel a Deus, eu serei sempre fiel à minha família. Sendo fiel à família eu conseguirei dar o meu melhor no trabalho, nas amizades e em tudo que eu precisar”, diz o atleta, que acrescenta: – “Eu não acredito em fidelidade se ela não se baseia em algo que eu realmente acredite. Minhas convicções devem estar de acordo com as minhas atitudes. Todos falam em Deus, mas muitos sequer permitem que Ele entre em suas vidas.”

Para muitos parece contraditório uma pessoa tão temente à Deus estar envolvida em um esporte tão violento. Exatamente para desfazer a idéia de “uma briga entre dois valentões”, Vitor não poupou esforços em popularizar este esporte, que surgiu com a inclusão de algumas regras ao antigo vale-tudo, fazendo com que o termo caísse em desuso. Ele tem sido um dos pioneiros na difusão de uma imagem menos violenta deste esporte, tornando-se um dos maiores responsáveis pelo reconhecimento do MMA no mundo. E o mais importante é que ao invés de apenas dizer, Vitor Belfort possui condutas que demonstram seu objetivo em pregar a paz, fazendo questão de manter-se distante de brigas e atitudes condenáveis.

Vitor Belfort é casado com a modelo Joana Prado e juntos têm três filhos. A vinda de Belfort para a cidade ocorreu em função do trabalho, pois o atleta foi convidado a treinar na academia Xtreme Couture, de Randy Couture.

Mesmo sendo conhecida como a cidade do pecado, tal fato não impediu que ele trouxesse sua esposa e filhos para viver em Las Vegas. Ao ser questionado sobre esta decisão, Vitor respondeu com segurança, explicando que como muitos não conhecem Las Vegas acabam julgando a cidade como somente um local de pecado. Ele explica que esta é, inclusive, uma forma de promoção da região, que tenta atrair turistas para deixar dinheiro nos cassinos e curtir momentos fantasiosos. “Whatever happens in Vegas, stay in Vegas”, lembra Vitor, acrescentando que “por mais que esta famosa frase diga que tudo o que for feito em Vegas, permanecerá em Vegas, ninguém consegue esconder nada de Deus, e é com Ele que todos deverão acertar as contas.”

“Vim com minha esposa e meus filhos, que são a minha família e eu não posso viver longe deles. Não é correto ter uma vida onde eu não acompanhe o crescimento dos filhos, e nem eles acompanhem o meu trabalho. Não é honesto, não é justo! Se eu decidi ter uma família eu devo honrar por ela.”

“Morar em las Vegas é, para mim, o mesmo que morar em uma cidade qualquer. Todas as cidades possuem o belo e o feio. O importante é a pessoa escolher qual o tipo de vida que ela quer levar. Segundo a Bíblia, ‘aonde abundou o pecado superabundou a graça’. Eu tenho muitos amigos, vejo que aqui existem muitas igrejas, educação e várias coisas boas para serem citadas, mas quem não conhece a cidade realmente, a julga pela fama com que é promovida. Mas eu acho que aqui superabunda a graça.”

Viver nos Estados Unidos é diferente daquele mar de rosas que existe na imaginação dos brasileiros. Existem muitas facilidades, porém existe muito trabalho. A começar pela rotina da casa, que exige atenção. Neste aspecto, Vitor não poupa elogios à esposa, que cuida de tudo com amor e dedicação.

“A Joana é a minha companheira, a mulher que eu amo e escolhi para viver ao meu lado. Juntos nós cuidamos dos nossos filhos diariamente. Somos preocupados com aquilo que eles comem, assistem, brincam, enfim, com tudo aquilo que eles estão vivendo. Como estamos sempre seguindo os nossos princípios, acredito e tenho fé que Deus está no controle de tudo e a minha família é realmente abençoada.”

Vitor e Joana, embora pertençam ao mundo dos famosos, são um dos exemplos de casais que vivenciam o matrimônio com seriedade, permanecendo longe dos holofotes em relação à escândalos.

“Eu sou feliz com minha esposa, vivo o meu casamento com amor e fidelidade, seguindo sempre o que considero correto. Mas é normal ligar a TV ou abrir uma revista e deparar com escândalos entre casais famosos. A mídia distorceu os valores, dando atenção a pessoas que vivem um relacionamento falso. Acredito que se os casais que vivem um bom casamento fossem divulgados, mais as pessoas se espelhariam para viver bem seus relacionamentos. Como disse o Tony Ramos uma vez: por que ninguém fala de mim, da minha vida? É porque não vai vender… Da mesma forma, eu também não venderei escândalos, pois sou fiel à minha mulher e serei sempre.”

Quando o assunto voltou-se para os filhos, o papai Vitor Belfort entrou em cena. Carinhoso ao falar das três crianças (Davi, Vitória e Kyara, com 06, 04 e 02 anos, respectivamente), ele demonstra que sabe separar o momento de lazer dos momentos de educação. Preocupados com a formação moral e ética dos herdeiros, o casal cria os filhos ensinando-os disciplinas e responsabilidades, acreditando, acima de tudo, que devem dar o exemplo antes de exigir atitudes. “You follow by example”- diz o atleta.

LAS VEGAS

Ainda na infância, Vitor Belfort começou a lutar artes marciais. Segundo ele, todo garoto sentia-se atraído por esta modalidade esportiva. Porém ele sonhou, dedicou-se e viu seu sonho se transformar em realidade. “Foi com suor que eu cheguei até aqui!”

Atualmente seu filho Davi, com seis anos, treina artes marciais, para orgulho do famoso pai. “Eu comecei com 08 anos, mas o Davi está na frente… ele começou com 06!”

Como veterano deste esporte, Vitor sabe que precisa ensinar os filhos que todos os caminhos para o sucesso possuem suas dificuldades, porém é necessário persistir.

“Um momento não pára a nossa vida. Há vitórias e há derrotas. Não se pode definir a vida por um momento apenas, o que a define é a nossa jornada. Quero ensinar meus filhos a serem bons de um modo geral. De que adianta um homem que vence, é cheio de troféus, cheio de vitórias,…, se ele for incapaz de ajudar alguém ao seu redor?”

Sempre citando sua fé e seus princípios, Vitor procura ser ético também em sua profissão. Pouco após ‘a luta do século’, como ficou conhecida a luta entre Vitor Belfort e Anderson Silva, Anderson disse em uma entrevista para o Jornal O Globo:

“Em Las Vegas, gosto de ir ao hotel Red Rock. Meus filhos ficam no Kid Quest e adoram! Lá é um local que se pode deixar as crianças brincando e fazer outras coisas, como ir ao cinema, jantar sossegado, curtir um momento como casal. Acho que é um hotel que pensa na família. Gosto muito de ir lá!”

– “Não tenho nada contra o Vitor, mas ele quebrou um código de honra. Minha equipe, o Nogueira Team, é a minha família, e o Vitor foi muito bem recebido nela” – lembrou Anderson, citando o tempo em que os dois treinaram juntos. –“ Temos um código de que nenhum de nós luta contra a gente. Infelizmente tivemos que lutar, ele escolheu esse caminho” – acrescentou.

Questionado sobre este depoimento, Belfort foi enfático em sua resposta:

“Não quero que pensem que é algo pessoal, mas ética eu tenho com o que acredito. Eu acredito naquilo que considero importante: minha família, meus amigos verdadeiros, minha convicção, meus valores… Mas como esportista eu tenho que competir, independente do adversário. É lógico que corro o risco de lutar com quem eu treino, ou com quem eu gosto. Faz parte do esporte e as lutas ocorrem por algum objetivo. Eu acho que falta de ética seria não competir. Seria falta de ética com os fãs, que pagam $50 a $7 mil por um ingresso. Seria falta de ética com quem me contrata, com a UFC – que paga a minha bolsa, com os treinadores, com os fãs e principalmente com o esporte. A minha ética está em competir, em ser profissional. Eu não pedi para lutar, nem mesmo escolhi o adversário. Eles me ofereceram o Anderson. Acho que na realidade houve um mal entendido e ele acabou levando a coisa para o lado pessoal. Mas não tem nada pessoal! Eu gosto dele, acho ele um lutador fantástico! Quando lutamos juntos, ele teve uma vitória incrível e eu sei que este foi um degrau que eu precisava superar para subir. Eu lutei e lutaria novamente, mas se eu criasse um código de ética com todos que eu treino, não lutaria nunca! É assim que eu encaro o esporte: de forma honesta e justa. Acredito que a ética está nas minhas ações!”

Por suas sinceridades e imenso carisma, Vitor Belfort é um dos lutadores de MMA mais prestigiado entre o público. É difícil não ser fã do atleta e da pessoa, que com certeza merece a posição e o respeito que conquistou.

HISTÓRICO

Vitor Belfort nasceu no Rio de Janeiro, em abril de 1977, e com apenas oito anos de idade iniciou-se nas artes marciais, treinando judô. Aos 16 anos, tornou-se campeão brasileiro de jiu-jitsu com a faixa azul nas categorias do seu peso e absoluto, onde competem os atletas de todos os pesos.

Incentivado pelo treinador, Carlson Gracie, Belfort mudou-se para os Estados Unidos e aos 17 anos foi nomeado o mais novo lutador de Jiu-Jitsu a receber a faixa preta em todo o planeta.

Em 1996, com apenas 19 anos, Vitor Belfort competiu em seu primeiro torneio de MMA, conhecido na época como vale-tudo, sancionado no Havaí – o Super Bowl. Em apenas 12 segundos de luta contra John Hess, um adversário com mais de 2 metros de altura e aproximadamente 150 kg, Belfort venceu por nocaute (K.O.), ganhando rapidamente a atenção e o respeito de todos.

BELFORT NO UFC

Apenas quatro meses depois de sua estréia no MMA, Vitor Belfort iniciou suas competições no UFC (Ultimate Fighting Championship), lutando na categoria peso-pesado. Em sua estréia no evento UFC 12, derrotou por nocaute técnico dois de seus adversários: Tra Telligman e Scott Ferrozzo. Além de grandes e pesados ambos eram mais experientes, porém perderam a luta que durou aproximadamente 01 minuto cada. Após a luta com Scott Ferrozzo, que durou apenas 43 segundos, Belfort ganhou seu “Heavyweight Tournament” e se tornou o mais jovem lutador a vencer dentro de um octágono e foi considerado o atleta com as mãos mais rápidas do mundo neste esporte. Desde então Vitor Belfort passou a ser chamado de “The Phenom” – o fenômeno – nome pelo qual é conhecido até hoje.

Em 30 de maio de 1997, o atleta nocauteou um dos mais famosos e respeitados lutadores de MMA da época, David ‘Tank’ Abbott, com apenas 53 segundos de luta no UFC 13.

Em 17 de outubro do mesmo ano, Belfort lutou no UFC 15 contra o wrestler americano Randy Couture, que venceu por nocaute técnico (TKO) aos 08:16, sendo esta a primeira derrota da carreira de Belfort no mundo do MMA.

Apenas dois meses após esta derrota, Belfort participou do UFC realizado no Japão, vencendo Joe Charles aos 04 minutos através de um armlock, conhecida técnica de jiu-jitsu.

Em outubro de 1998, Belfort participou do UFC realizado no Brasil e lutou contra o brasileiro Wanderlei Silva, um dos maiores lutadores do momento, que vinha de uma série de vitórias ininterruptas. Com uma seqüência extraordinária de 26 socos em 19 segundos, Belfort nocauteou o conterrâneo, vencendo a luta em apenas 44 segundos, em São Paulo.

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